XIX Domingo Comum (A)

CAMINHAR SEM CHÃO19 COMUM AA

LECTIO DIVINA – Um Roteiro

0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Mt 14,22-33.
- Sublinho e anoto o mais significativo.

A convite de Jesus, os discípulos tentam ganhar a outra margem. Ventos contrários dificultam a travessia. Jesus reencontra-os caminhado sobre as águas e põe à prova a fé de Pedro.

2. O que me diz Deus
- Que pensamentos e sentimentos despertam em mim esta passagem?
O mar, a noite e a tempestade (forças da natureza incontroláveis) representam o desconhecido, poder do mal e da morte. A barca simboliza a comunidade cristã, ameaçada do exterior por forças adversas e no interior pela mediocridade. Como os discípulos, vejo-me remando contra a corrente. Mas Jesus, que caminha sobre as águas, é o Senhor presente na minha tormenta. Reconheço-O? Ou o pavor confunde-me o olhar? Como a Pedro, Jesus chama-me a enfrentar os medos. Fixo-me n’Ele e na sua Palavra ou nos ventos contrários?

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, esperas-me na outra margem, deixando a tentadora praia da dependência de graças e milagres. Desejas que passe a discípulo, consciente e livre. Isso exige uma lenta e dura transformação. Nessa “travessia” debato-me com apegos e limitações.
Vem em meu auxílio porque, na tormenta, cedo ao medo. Ajuda-me a vencer as ondas de pessimismo que me assolam e levam ao desânimo. Ilumina a minha noite, pois confundo os sinais da tua presença. No coração dos meus problemas, ajuda-me a reconhecer-Te.
Faz-me perceber a tua voz que me chama a caminhar sobre as minhas águas agitadas. Fixa meu olhar no teu. Centra meu coração no teu e tuas palavras me guiarão. Os ventos continuarão a soprar à minha volta, mas serás o meu farol. Se meus pés vacilarem, estende-me a mão, até que minha fé aprenda a caminhar segura.

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, és farol nas minhas noites e a voz que chama na escuridão. ConTigo, avanço seguro. Agarrado à tua mão, louvo e agradeço. Em silêncio, Te contemplo e adoro.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- Sei desafiar as contrariedades e os medos com fé?
- O que me faz duvidar e temer? Como ultrapasso isso?
- Identifico a presença de Deus no meio das tempestades?
- Prefiro procurar refúgio em falsas seguranças?

UM PENSAMENTO
“Um homem é a fé de que for capaz” (José Luís Nunes Martins)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de enfrentar minhas tempestades na fé.

UMA ORAÇÃO-POEMA

Na outra margem de mim,
chamas e esperas.
Mas, entre nós… a dura travessia
violenta, de desapego indigente
de quem deixa esta outra orla,
praia do pão fácil, multiplicado.

Não temo essa terra nova, prometida
mas a viagem… e a borrasca contrária
que me deixa sem leme nem mapa
na oscilação de emoções inexploradas
à mercê de insurreição própria.

Se és Tu, manda-me caminhar e vencer
estas águas interiores, tumultuosas.
Talvez submerja desamparado, apavorado
mas reemergirei seguidor segurado,
resgatado pela tua mão libertadora.

UMA CANÇÃO
Needtobreathe – Walking on the water

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