Primavera(s) de Deus

  • Explicação

    Maria, figura central da próxima Jornada Mundial da Juventude, é o primeiro sinal da Primavera de Deus, no inverno da humanidade. Como no-lo recorda o lema da JMJ, partiu “apressadamente”, porque essa Primavera, anunciada pelos profetas e ansiada pelo “povo que habitava nas trevas” (Mt 4, 16; Is 9,1) não podia mais ser adiada: tinha de contagiar outros, como mais tarde fará seu Filho Jesus, pelos caminhos da Palestina.

    Passados dois milénios, o inverno persiste (conflitos, desigualdades e injustiças). Porém, tampouco essa Primavera deixou de dar sinal de si, da sua presença atuante.

    Propomo-nos descobrir e conhecer “rostos jovens” de Deus. Jovens que foram Flores e frutos de fé, testemunhando a alegria e a paz dos filhos de Deus, em situações extremas de sofrimento ou na defesa da pureza; flores e frutos de esperança perseverante no longo inverno persecutório da fé, em tantos lugares do planeta e ao longo da história; flores e frutos de caridade que perfumaram a humanidade, na entrega das suas vidas pela dos outros, mais pobres ou vulneráveis da sociedade, em defesa da verdade e da justiça.

    São raparigas e rapazes de 4 continentes, dos séculos XX e XXI. Uns, cristãos desde o berço, outros, conversões extraordinárias, onde e quando menos era espectável. Todos morreram cedo, mas marcaram o seu tempo e seus conterrâneos, porque todos frutos maduros. Assim são as Primaveras de Deus.

    Desafiamos-vos, ao longo deste ano, a conviverem com eles: tomai-os como companheiros de vida cristã, mestres com quem aprender, amigos espirituais em quem colher inspiração e a quem orar, pois a maioria é venerável ou beatificada.

PRIMAVERA 50 - Sãozinha de Alenquer

Celebra-se hoje o centenário do nascimento de SÃOZINHA de Alenquer, como ficou conhecida.SAOZINHA Cópia
Maria da Conceição Fróis Gil Ferrão de Pimentel Teixeira (seu nome completo) nasce a 1 de fevereiro de 1923, em Coimbra, onde seu pai termina os estudos de medicina. Segundo uma tradição antiga, os pais escolhem como madrinha de batismo a Nossa Senhora, com o título de Imaculada Conceição, da qual recebe o nome.
Já formado, o pai estabelece-se em Abrigada, uma modesta localidade próxima de Lisboa. É sua opção manter-se próximo dos seus pacientes, evitando o anonimato das cidades. Se o pai é idealista e generoso, a esposa é doce e piedosa. Inculca na filha os valores essenciais da religião. Maria da conceição cresce amada e educada.

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PRIMAVERA 49 - André Vallée

ANDRÉ VALLÉE, nasce a 9 de novembro de 1919, na Normandia francesa.André Vallée Cópia
Em criança, revela-se autoritário, independente e lutador. Provavelmente, tal temperamento deve-se à morte prematura da mãe e ao novo casamento do pai. Irmão de outros três rapazes, todos jovens, não deixava outra alternativa ao progenitor. Mas o pai, homem de fé simples e forte, sacristão na sua paróquia, consegue obter do seu filho rebelde o que este é capaz.
Após o certificado de estudos, em 1932, André aprende um ofício numa empresa local. Os inícios são difíceis. O ambiente não é são. Dois anos depois, torna-se operador de máquinas numa imprimaria. Aí, tudo muda. Valorizado pelas suas apetências profissionais, descobre a JOC (Juventude Operária Católica) cujo ideal o seduz. Torna-se outro rapaz: participa da eucaristia e comunga diariamente. Tal mudança prepara-o para o que o espera.

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PRIMAVERA 48 - Gianluca Firetti

GIANLUCA FIRETTI, Gian para os amigos, nasce em Sospiro (Itália) a 8 de setembro de 1994.GIANLUCA FIRETTI
Jovem, empenha-se na escola e adora futebol, tanto que até sonha ser futebolista. De resto, nada o destaca da restante juventude.
Mas, em dezembro de 2012, durante um jogo, sente uma dor nas pernas que vai piorando. O diagnóstico é terrível: osteossarcoma. Apesar do esforço dos médicos, não restam muitas esperanças. Gian tem então 18 anos.
Durante os dois anos da doença, Gianluca revê-se em Cristo. No seu encontro com Jesus, sua vida alcança a plenitude, precisamente quando ela parece encaminhar-se para o seu fim. Acompanhado pelo P. Marco D'Agostino, as suas conversas sobre Deus vão ajudá-los mutuamente: “Gian era de uma simplicidade desconcertante, igual à criança evangélica, símbolo do Reino, que sabe apresentar-se como é, sem defesas. Ele não me pediu nada além estar com ele.” Semana após semana, o jovem deixa Deus ganhar espeço nele, abrindo-se também aos outros. Cresceu, sobretudo na confiança, contagiando a todos no amor. Passou a desfrutar de cada encontro, cada instante e situação como uma celebração de vida.

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PRIMAVERA 47 - Crisóstomo Chang

A 28 de janeiro de 1948, era executado o P. CRISÓSTOMO CHANG, juntamente com cinco outros monges trapistas, na China.CHRYSOSTOM CHANG
Fundado em 1883, o mosteiro trapista de Nossa Senhora da Consolação era a mais antiga comunidade cisterciense do Extremo Oriente, inclusivamente citado por Pio XI na sua encíclica Rereum Ecclesiae (1926).
A comunidade é estimada e respeitada pela população local. Os mais desfavorecidos beneficiam da sua assistência. Na altura, contava com cerca de 75 religiosos, a maioria chineses.
Desde 1945, a perseguição contra os católicos é programada pelos comunistas, de forma metódica, culminando nos famosos “julgamentos populares” que se desenrolam em público. Insultos, golpes e vexações são infligidos aos réus, infalivelmente declarados culpados. Os padres, de modo especial, eram tratados com particular crueza. Quando não eram torturados, eram obrigados a suporta a doutrinação marxista, de seis a oito horas diárias, resultando em efeitos psicológicos desastrosos.

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PRIMAVERA 46 - Puri Pedro

PURI PEDRO – assim é conhecida Maria de la Purificación Pedro –, era assistente social filipina e leiga católica, quando é assassinada por soldados, sob a ditadura de Ferdinand Marcos.PURIFICACION PEDRO Cópia
Nascida a 22 de setembro de 1948, obtém o diploma em ciências sociais na Universidade das Filipinas, em 1969. É nessa qualidade que trabalha na paróquia da Imaculada conceição, em Quezon City, a partir de 1970, depois de uma passagem no centro Nacional de Reabilitação para pessoas com deficiências físicas. Na sua nova missão, administra a creche paroquial, o grupo de costura para mulheres pobres e cuida do programa educacional de duas cooperativas, além de outras atividades ligadas à paróquia.
Nesse mesmo ano, rebenta a chamada “Tempestade do Primeiro Trimestre”, período de distúrbios políticos, com fortes manifestações e protestos contra o regime.

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PRIMAVERA 45 - Satoko Kitahara

SATOKO KITAHARA morreu de tuberculose aos 28 anos, depois de ter consagrado os seus últimos nove anos (desde o seu batismo) às crianças e habitantes de Arinomachi, um bairro de lata situado num dos lugares mais sinistrados de Tóquio, após a II Grande Guerra. SATOKO KITAHARA CópiaJuntamente com o médico Paulo Nagai Takashi, é uma das figuras mais representativas do catolicismo japonês do século XX.
Satoko nasce a 22 de Agosto de 1929. É a filha mais nova de uma família aristocrata japonesa, descendente dos antigos samurais e de sacerdotes xintoístas. A sua infância passa-se tranquilamente. Mas, em 1940, com a entrada do Japão na Guerra, a vida familiar perturba-se. O pai é enviado para a frente de combate, juntamente com um cunhado. O seu irmão mais velho é convocado para trabalhar na fábrica. Ela própria, após concluir os seus estudos secundários, irá lá trabalhar. Numa cidade continuamente bombardeada, o ritmo de vida passa a ser marcado pelas sirenes de alerta. À semelhança de milhões de concidadãos, Satoko vive com os nervos a flor de pele. Milagrosamente, escapa ilesa de uma bomba que caiu no seu lugar de trabalho, embora profundamente chocada.

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PRIMAVERA 44 - Benedetta Bianchi Porro

BENEDETTA BIANCHI PORRO nasce em 1936, na Itália.BENEDETTA BIANCHI PORRO 1
Profundamente apaixonada pela vida, cedo a sua existência fica sujeita às doenças. Ao nascer, teve uma hemorragia inesperada. Alguns meses depois, contrai poliomielite que lhe deixa uma perna mais curta. Isso obriga-a a coxear, o que será fonte de muitas humilhações.
Aos 12, traz um corpete apertado para corrigir uma escoliose provocada pela sua claudicação. No ano seguinte, sente uma dor obscura que a invade. Dar-se-á conta da sua situação quando começa a ficar surda. “Talvez um dia, não perceberei mais o que os outros me dirão, mas ouvirei sempre a voz da minha alma: é o verdadeiro caminho que tenho de seguir”.
A coragem tem os seus limites. Entra numa fase de depressão.
Então aplica-se. É excelente na escola apesar das suas limitações. A fé tornou-se a sua força.
Em Setembro de 1953, apesar da sua surdez e de se apoiar numa bengala (com 17 anos!), Benedetta consegue ingressar na universidade de Milão. Aí, orienta-se para a medicina: quer ser missionária. Porém, aquilo que parece uma vitória é, pelo contrário, o princípio de muitas humilhações.

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