PRIMAVERA 27 - Carlotta Nobile

A 20 de dezembro de 1988 nascia CARLOTTA NOBILE.CARLOTTA NOBILE
Esta jovem italiana notabilizou-se como violonista, historiadora da arte e escritora. Na música, ganhou muitos concursos, a nível nacional. Com apenas 21 anos, foi nomeada diretora artística da orquestra de câmara da Academia de santa Sofia, em Benevento. A sua paixão pela arte levou-a graduar-se em Estudos Histórico-artísticos. Publicou ainda dois livros, escreveu diversos artigos e participou em diversas conferências. Essa extraordinária e intensa atividade não se esbateu nem com a tremenda notícia que viria a abalar a sua vida, em outubro de 2011, aos 22 anos.

Diagnosticada com um melanoma, Carlotta conciliou tratamentos, cirurgias com sua carreira musical e artística, alternando hospital e concertos. Um conhecido seu disse dela: “Quanto mais os tratamentos a debilitavam e os diagnósticos a aproximavam da sua despedida, tanto mais a música se convertia na sua rebelião contra o destino, a sua verdadeira vida. Tudo isso sem descontar na qualidade.”
Ainda assim, sua reação inicial foi de revolta, percebendo a sua situação como um erro irracional e injusto do destino. Em poucas semanas, porém, o convívio com crianças e outras pessoas atingidas com o mesmo mal levou-a a passar da pergunta irada “Porquê eu!?” a outra, mais aberta e desafiante, “Porque não eu!?”. Em abril de 2012 abriu uma página de facebook, mais tarde transformada em site “O cancro, e depois” (ilcancroepoi.com). Aí, de forma anónima, suas reflexões congregou milhares de pessoas identificadas com esta ajuda e apoio moral. Escreveu ela: “Já nem sei quantos centímetros de cicatrizes cirúrgicas tenho. Mas eu amo cada um deles, um por um, cada centímetro de pele incisada que nunca mais cicatrizara. Esses são os pontos de fixação para as minhas asas.” Sem revelar a sua situação pessoal, associa-se ao pianista americano Martin Berkofsky, na rede solidária “Doadores de música”, para tocar nas unidades oncológicas italianas.
Carlotta não era praticante, nem a fé fazia parte da sua vida diária. Todavia, nos últimos meses da sua vida passou por uma profunda experiência de fé, durante um internamento. Foi a 4 de março de 2013. O acontecimento, percebido como uma iluminação, é descrito por ela neste modo: “Estou curada na alma. Num instante, ao acordar de uma crise. Abri os olhos e eu era outra… Num instante percebes que foi justamente este cancro que curou a tua alma, trouxe ordem à verdadeira essência da vida, te devolve a fé, a esperança, a confiança… Entendes que foi o cancro, com o seu tormento, sua agressividade, sua dureza que, finalmente, te trouxe a LUZ.”
Sua espiritualidade, a partir daí, foi muito inspirada pela homilia do recém-eleito Papa Francisco que desafiava os jovens a carregar a cruz com alegria (24 de março 2013). Poucos dias depois, na sexta-feira santa, Carlotta, ansiosa por se confessar, procurou uma igreja aberta no centro de Roma, na hora do almoço. A única que encontrou aberta estava confiada ao P. Giuseppe Trappolini que, no dia anterior, ouvira do papa a recomendação para manter sua igreja aberta. Carlotta decide escrever ao papa: “Papa Francisco, o senhor mudou minha vida. sinto-me honrada por poder carregar a Cruz com alegria, aos 24 anos. Sei que o cancro curou minha alma, desatando todos os meus emaranhados interiores e dando-me imensa Fé, Confiança, abandono e Serenidade, bem no momento de maior gravidade da minha doença.” Somente a pioria do seu estado impossibilitou um encontro entre ambos.
Carlotta passou os últimos três meses da sua vida, os mais dolorosos, em casa, entre familiares. Viveu-os dedicada à oração, num estado paradoxal de total confiança, aceitação e gratidão a Deus.
Após dois anos de batalha, Carlotta morreu, com 24 anos, no dia 16 de julho de 2013. Na véspera, olhando para o teto, repetiu estas palavra: "Senhor, eu Te agradeço. Senhor, obrigada, Senhor, obrigada". Os principais meios de comunicação social do país noticiaram a partida do “anjo do violino”, como a apelidaram os média.
Em 2018, foi declarada “Jovem Testemunha”, no sínodo dos Bispos para os Jovens.

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